MOÇA
Ei, moça, ele já foi. Pegou uma mochila, jogou algumas peças de roupas surradas dentro e se mandou. Levou consigo sonhos, histórias vividas, sentimentos latentes, alguns trocados no bolso e uma mente com pensamentos incógnitos. O rosto não esboçava emoção (me pareceu, não deu para ver). Seus cabelos bem cortados e seu meio sorriso de outrora não chamaram minha atenção. Sabe-se lá se permanece imutável. Só tenho olhos para você, moça. Moça, respire, acalme-se, ele já passou pela porta. Escutou a batida forte? E os murmurinhos? Então, ele se foi. Não se preocupe mais. Não agora. Ele está na estrada. Ouviu o ronco do motor? Tem gente lá fora, percebe? Sei lá, os ânimos estão um pouco alterados ou as vozes estão confusas? Não tenho ideia, moça, só quero olhar para você. Saia daí desse chão frio, pode ficar resfriada. Levanta, vai, tenha forças! Não vá se perder olhando a janela depois, com pesar. Também não se confunda com um móvel de sua casa. Toma uma atitude, grita...